APRESENTAÇÃO
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Um caso de vocação |
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Edegardina Ribeiro Tavares, ou dona Dega, como
a chamavam Chacrinha (Abelardo Barbosa) e outros amigos
antigos da família, dizia que seu filho Italo, nascido no dia 12 de abril de
1923, sempre quis ser militar. Mas era muito magrinho e não tinha o peso
necessário para ser aceito. De forma que foi às custas de exercício e dieta a
base de muita banana que ele conseguiu ganhar algum corpo para realizar seu
sonho, começando pelo Colégio Militar, onde fez todos os estudos.
O único irmão dele, Hélio, que era três anos mais velho,
morrera de desinteria bacilar aos sete anos de idade, fazendo com que Italo
fosse criado praticamente como filho único. A exceção seria Marcília, que dona
Dega passou a criar ainda criança de colo e da qual Italo havia sido escolhido
padrinho. Depois, dona Dega adotaria informalmente também mais duas crianças:
Rodrigues e Rita.
Italo,
entretanto, era o único herdeiro de Octavio Diogo Tavares, formado em Medicina,
Direito e Contabilidade, mas funcionário público de carreira. Era a
possibilidade de manter o sobrenome de origem portuguesa. Octavio, filho de
Augusto Diogo Tavares, que era filho de Manuel, filho de José Diogo Tavares.
Não é
difícil imaginar o que deve ter significado para aquele casal o embarque do seu
único filho natural vivo para a guerra. Ao vê-lo partir, dona Dega chorou, rezou
e provavelmente fez promessas a todos os santos. Mas não havia jeito de mantê-lo
em casa. Afinal, desde pequeno Italo sempre quis ser militar.
Morte e vida. Tiros de canhão e bailes ao som de acordeão. É o dia-a-dia do pracinha brasileiro na Itália e a lição de que é possível colher coisas boas mesmo em meio ao caos e à desagregação. Tudo isto está neste sincero e comovente diário. Até mesmo um outro Ítalo, comunicativo e desprendido, que muitos gostariam de ter conhecido em vida e não puderam.
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1.O pai Octavio Diogo Tavares, o avô Augusto Diogo Tavares
2.Sentado na mesa, com o irmão Hélio, falecido aos seis anos de idade, de pé na cadeira